Impressões acerca da greve defensiva no Paraná

Professor Edmilson Silva avalia os pontos positivos e os avanços obtidos com a greve dos servidores públicos, deste ano. Ele elege, como maior vitória dessa greve, a oportunidade de mostrar ao Governo do Estado que os servidores públicos são capazes de se mobilizarem e resistirem na luta pelo serviço público de qualidade.

 

(Foto da CBN)

 

Por Edmilson Aparecido da Silva

Associado da Aduem e presidente da Sesduem

O movimento de greve que durou 49 dias entre os dias 26/06 e 13/08/2019 significou a retomada das lutas da categoria, embora tenha sido uma greve defensiva (para não perdermos direitos já adquiridos). Conseguimos a retirada da PLC 04/2019 que congelava as carreiras de todos os servidores públicos do estado do Paraná por 20 anos, acabando com data base, quinquênio, licenças prêmios, promoções e progressões, ou seja, acabava com todas as carreiras de todos os segmentos do serviço público.

Embora o governo tenha dito que não daria a reposição da inflação, não acreditando em nosso poder de mobilização, essa greve fez com que o governo formulasse uma proposta de data base. Uma proposta rejeitada por várias categorias dos servidores públicos, inclusive por todos os servidores da UEM, mas que coloca fim em um longo período de não reposição da inflação. Outro ponto importante dessa greve, foi a possibilidade que tivemos de estudar a "Minuta da LGU", fazendo várias atividades de greve na UEM e nas demais IEES do Paraná. Essa discussão culminou com o I SEMINÁRIO ESTADUAL SOBRE A LGU, que de forma unânime RECHAÇOU a proposta que visa destruir com nossas IEES, colocando fim inclusive no restante de AUTONOMIA, que ainda temos em nossas Universidades Públicas.

Para mim, a maior vitória dessa greve foi mostrar para o governo que os servidores públicos estaduais são capazes, sim, de se mobilizarem e resistirem em uma luta não só por nossas carreiras, mas pelo serviço público de qualidade. Outra vitória importante foi a possibilidade de diálogo com toda sociedade paranaense, no qual podemos perceber que as pessoas são sensíveis as nossas demandas e entendem o valor e a necessidade do servidor público.

Embora a ALEP já tenha aprovado o projeto da data base (21/08/2019) e o governo tenha solicitado à ALEP a retirada do PLC 04/2019, não há nenhuma garantia de que o governo cumpra com o acordado. Nossa garantia é a nossa constante vigilância e poder de organização enquanto classe trabalhadora para que nossos direitos sejam garantidos. Então, acompanharemos de perto todas as ações deste governo e faremos a cobrança para que se cumpra pelo menos o prometido.

A greve unificada dos servidores públicos do Estado do Paraná foi um grande avanço em nossas lutas e pegou o governo do estado de surpresa, uma vez que ele não esperava tamanha capacidade de organização e de mobilização. Unificação essa que garantiu duas grandes mobilizações em Curitiba, a primeira, com cerca de 15.000 pessoas e, uma segunda, com aproximadamente 30.000 pessoas, além de eventos em várias cidades do Estado do Paraná. Esta união de categorias como professores, técnicos, profissionais das diversas áreas da segurança pública, profissionais da saúde e demais áreas do serviço público paranaense foi uma das grandes forças desta greve.

Esta semana, já participei de reunião em Curitiba para avaliação e planejamento de novas ações que visem manter e aprimorar esta unidade para as lutas que teremos no futuro bem próximo.

Edmilson Aparecido da Silva

Professor do Departamento de Ciências Contábeis

Chefe do Departamento de Ciências Contábeis da UEM

Presidente da SESDUEM

Doutorando da FGV/SP do Curso de Administração Pública e Governo

 

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