Patente - O caminho trilhado por uma pesquisadora da UEM

Farinha da carcaça de peixe é desenvolvida para o cardápio de crianças e de adultos.

O caminho trilhado por um pesquisador que almeja obter o direito de comercialização exclusiva de um novo produto não é muito fácil, pois tem suas incertezas, requer esforço, dedicação e investimento. Mas uma coisa é certa, a valorização chega, e é exatamente no momento quando lhe é conferida a patente, que todo o esforço despendido se transforma em pura gratidão.

Em 2013 foi concedida à Universidade Estadual de Maringá (UEM) a patente intitulada:  “Processo de Obtenção de Farinha a partir de Carcaças de Peixes”, que é o resultado de um projeto científico coordenado pela Profª. Drª. Maria Luiza Rodrigues de Souza Franco, do Departamento de Zootecnia da UEM.

A professora Maria Luiza explica que, a partir da elevada quantidade de resíduo gerada no processo de abate e filetagem de peixes, e a preocupação com o meio ambiente, teria que buscar uma alternativa para agregar valor na cadeia produtiva do peixe. Assim surgiu a ideia de elaborar a farinha de carcaças de peixes para enriquecimento de produtos alimentícios.

“Para chegarmos ao resultado final, muitos experimentos foram realizados avaliando a inclusão da farinha de carcaça de peixe de água doce e a mistura com farinha de carcaça de peixe marinho, em produtos salgados, massas, pães, barras de cereais e doces”, relata.

Segundo a professora, a principal vantagem da farinha está em inserir os benefícios do peixe no cardápio de crianças e idosos. E que o produto foi bem aceito por quem teve a oportunidade de conhecê-lo. Infelizmente, até o momento, não existe uma empresa que esteja apta a produzir e fornecer a farinha.

“Todos os participantes que tiveram oportunidade de degustar os produtos aprovaram a inclusão da farinha de peixe em produtos alimentícios, mesmo pessoas que não gostam de consumir peixe poderiam consumir sem problema algum, pois os produtos com a inclusão do peixe não apresentaram sabor de peixe”, afirma.

A patente obtida levou nove anos até ser concedida à Universidade. Ela foi depositada em 15/09/2004 e somente em 08/01/2013 foi conferida de fato. O investimento da pesquisa passou de 80 mil reais. 

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