Reforma da Previdência em debate. Entenda mais

Por que somos contra a Reforma da Previdência? Entrevista com a Professora Drª. Marta Belline ajuda a entender melhor os perigos desta proposta encaminhada pelo Governo.

Aduem pergunta: Qual a dimensão desta proposta de Reforma da Previdência? Que impacto traria à vida de cada trabalhador e trabalhadora?

Marta Bellini - O impacto maior é que cada trabalhador cuida de sua previdência porque  a reforma previdenciária retira a previdência social do rol dos direitos constitucionais, transformando-a num produto de aquisição individual e compulsória junto ao sistema financeiro. Cada um de nós, trabalhadores/as fica refém de uma conta em um banco à mercê das taxas. No Chile atual 80% dos trabalhadores (médicos, engenheiros e outros) perderam para os bancos. Seis bancos fazem a gestão dos recursos da previdência, e cinco são estrangeiros. O dinheiro da previdência fica à mercê do mercado financeiro. Assim, 80% dos aposentados ganham um salário mínimo que, hoje, é R$1.600 reais. E 20% ganham menos de um salário mínimo. Uma tragédia para a sobrevivência de aposentados/as em um país cujo custo de vida é maior do que o Brasil.

Aduem 2: Sendo aprovada, a proposta de reforma do Governo atingiria o trabalhador já aposentado?

Marta Bellini - Sim, o trabalhador já aposentado sofrerá impacto. Ainda não sabemos como será a transição do sistema coletivo e social para o individual. O governo esconde esses dados ou não os tem. O impacto - como ocorreu no Chile e Grécia - é a diminuição drástica do percentual recebido, uma vez que há taxação pela capitalização. No caso da Universidade Estadual de Maringá, com o roubo de nossa previdência em 2015, há o perigo da insolvência da previdência em cinco anos. O governador do Paraná está alinhado ao governo federal e certamente já existe bancos à espera de nosso dinheiro da previdência. O governo Estadual já interpôs serviços com vistas à privatização da Copel, por exemplo. O secretário da Educação é um empresário. E a nossa previdência - superavitária - deve estar nos planos do governo.

Aduem 3: Qual a proporção do impacto que essa reforma desencadeará  na vida da população em geral? O que muda?

Marta Bellini - Haverá um empobrecimento atroz e rápido já nos primeiros anos de mudança. Nesses quase cinco meses tivemos uma amostra deste empobrecimento. Quatro anos sem reposição salarial, aumento das taxas de água, luz e aumento dos preços da alimentação. No Chile um engenheiro que ganhava cerca de R$20 mil reais está recebendo cerca de um salário mínimo por mês, hoje R$ 1600 reais, maior do que o Brasil, mas o custo de vida chileno é também maior. Aliado ao desaparecimento do SUS, com preços de medicina privada aumentando para os aposentados e com os preços de remédios subindo, teremos o pior dos mundos no Brasil. Dá para dizer que o comércio terá um perda incrível. Talvez, a indústria brasileira acabe e passemos a comprar produtos importados. É uma perspectiva bastante nefasta para todos os trabalhadores/as.

 

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