MAIO LARANJA – TRISTES REALIDADES

  • No Brasil, o mês de maio, marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O foco principal é o dia 18 de maio, instituído pela Lei Federal 9.970/2000, que busca dar visibilidade ao tema e mobilizar a sociedade para proteger crianças e adolescentes. Essa Lei, nesta data, é em memória à Araceli Cabrera Crespo, vítima de violência brutal em 1973, após ser drogada, torturada e estuprada, que completou 53 anos no dia 18 de maio. O crime ocorreu na cidade de Vitória-ES. Dois herdeiros de famílias poderosas do estado, Dante de Barros Michelini e Paulo Constanteen Helal, foram acusados de drogar, estuprar e matar a menina. Além disso, o pai de um deles, Dante Brito Michelini foi acusado de contribuir com o crime e usar sua influência para atrapalhar as investigações. Todos se declaravam inocentes e apesar de terem sido condenados em um primeiro julgamento, os três foram inocentados após recurso. Essa impunidade de um crime tão brutal, ainda traz marcas do quanto se fazem necessários estudos, pesquisas, e principalmente, intervenções pedagógicas e científicas nos espaços escolares, que é onde as crianças e adolescentes estão, cotidianamente, e lá podem estudar sobre este tema e assim, se protegerem, bem como aprenderem a não ser os/as possíveis violentadores/as. Dados alarmantes ainda são presentes em nosso país. Em 2025, encontramos no site da Fundação Abrinq, que mais de 60 mil crianças e adolescentes foram violentados/as, principalmente crianças, na faixa etária entre 0 a 5 anos de idade, e mais alarmante ainda, os casos acontecem dentro dos lares, por familiares e pessoas conhecidas das vítimas. Os números são preocupantes, mas podem estar longe de refletir a realidade. Muitos episódios de violência sexual não chegam ao conhecimento das autoridades, seja pelo medo da vítima, pelo vínculo com o/a agressor/a ou pela falta de informação sobre os canais de denúncia disponíveis. As sequelas que uma violência sexual deixa em uma vítima são imensas, além de dores físicas, há as dores psíquicas, que tanto machucam uma pessoa. Muito há de ser feito ainda, principalmente em estudos e pesquisas e a necessidade desta pauta ser dialogada nos Cursos de Graduação e Pós-graduação, nos espaços universitários, possibilitando que as pessoas formadoras levem conhecimentos às crianças e adolescentes, visando à prevenção. A luta é árdua, porém muito necessária.
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