Dia Internacional das Mulheres e das Meninas na Ciência 2022

Doutora Maria Cristina Gomes Machado, professora do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá (DFE/PPE/UEM), analisa dados da UNESCO em relação à participação das mulheres na ciência e destaca a importância de lutar por políticas públicas.

Por Maria Cristina Gomes Machado

Hoje é um dia de celebração por comemorarmos o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência 2022, data instituída pelas Nações Unidas e UNESCO. É uma importante data para nos lembrar da luta secular pela equidade de gênero e da necessidade de estabelecimento de políticas públicas que incentivem a participação das mulheres na ciência. Os séculos XX e XXI são marcados pela luta das mulheres para se tornaram cidadãs autônomas e com os mesmos direitos políticos e sociais que os homens.  O trajeto tem sido longo e com muitos desafios, a UNESCO nos informa que 30% das mulheres do mundo são cientistas, no Brasil esse número é menor, o que exige investimento para melhoria da participação das mulheres e meninas nas atividades científicas. É preciso lembrar que somos capazes de realizarmos o que quisermos. Para tanto, é necessário respeito e oportunidade para podermos participar desse universo, ainda considerado como espaço masculino, embora tenhamos exemplos maravilhosos de mulheres e suas conquistas. Na UEM as mulheres são responsáveis pela metade de nossa produção científica. O que nos coloca em excelente posição, contudo não há o que se comemorar enquanto essa realidade não se estender ao país. As ações do passado nos dão lições inestimáveis de como o tema deve ser discutido cotidianamente e que não podemos retroceder. É preciso combater o sexismo na academia e melhorar o incentivo da participação das mulheres e meninas na ciência, em todas as áreas. Na coletânea organizada pela professora Eliane Rose Maio, intitulada Educação, Gênero e Feminismos: Resistências Bordadas com Fios de Luta!, se aprofunda o debate sobre a luta da mulher pela sua emancipação e se constitui como excelente material de leitura. Nossa sociedade patriarcal considerava a mulher como ser inferior, esse espectro ronda nosso entorno e, veladamente, direciona às mulheres para exercer o papel exclusivo de mãe e dona de casa. Se no passado, a mulher ideal deveria saber pouco ou nada, nossa sociedade contemporânea precisa aceitar, sem restrições, que as mulheres não são escravas domésticas ou rainha do lar, podem saber muito, inclusive sobre ciência!

* Professora Maria Cristina Gomes Machado é integrante da diretoria atual da Aduem (Gestão 2021-2023)

Doutora em Filosofia e História da Educação (UNICAMP)

Professora titular do Departamento de Fundamentos da Educação (DFE/PPE/UEM)